PERFORMANCE

UMA COREOGRAFIA PARA MINHA CALÇA

FICHA TÉCNICA:

Curadoria: Ruli Moretti
Direção da performance: Kauan Amora
Direção Musical: Dudu Lobato
Músicas compostas: Armando de Mendonça

 

Artistas participantes:
Intervenção: Cleber Cajun, Mauricio Franco
Desenho: Humberto de Castro
Maquiagem: Barbara Vianna
Fotografia: Suane Melo
Figurinista: Nanan Falcão
Iluminação: Nando Lima 

Design Gráfico/2016: Raissa Araújo
Design Gráfico/2015: Gabriel Galvão

 

Estúdio Reator – Criação de Arte e Performance

TEXTO CURATORIAL

curadora e pesquisadora independente, natural de São Paulo, vive e trabalha em Belém do Pará.

A coreografia seria uma dança em sua forma grafada?

O movimento que se vai inscrevendo, em começo meio e fim, tomando lugar no espaço. 

A percepção da dança é da ordem da duração, da distensão de momentos de presença mais intensa, do encadeamento de imagens, das pausas, dos silêncios.

Como conceber uma coreografia apresentada em foto­instalação?

No processo de criação, o corpo do performer é canal para as intenções presentes naquele momento. Ele responde ao formato que sua calça lhe concede, ao movimento que ela possibilita, à resposta que o invólucro de tecido conclama, ao movimento que se desencadeia, à cadeia da estampa, da textura, do toque, do corte, da elasticidade, da costura, da cor – incorporando persona ou sensação, em modo de improvisação.

Canaliza também o som, os olhares de fora, o efeito etílico, dionisíaco, do corpo entregue a si e ao que há de mais corpo, em sua luta para romper os limites do tecido, para se desembaraçar, proteger, expor ou cobrir e desenhar-­lhe formas, revelando partes de corpos, intenções, acasos e surpresas. Material de ponto de partida.

Aqui, o que se fotografa são imagens congeladas do movimento pego em flagra, não como registro de acontecimentos, mas como acontecimento em si. E na conjunção destes acontecimentos, uma coreografia que tome o espaço, ocupando-­o de forma simultânea: um corpo que se faz múltiplo e o lugar da dança como a costura do olhar de cada um.

Se uma coreografia se organiza por frases de movimentos, esta instalação pode ser lida como um poema: cada fotografia, um verso; cada estrofe, uma combinação possível de versos pela ordem da captura do olhar; cada verso apontando para um novo poema ainda a ser escrito.

Dessa maneira, em cada lugar que este conjunto de imagens se apresenta, é uma nova coreografia que é dançada: ao tomarem o espaço em simultâneo, deixam de seguir uma linearidade dada de antemão, pra serem lidas, não da esquerda pra direita, nem de cima para baixo, mas de trás pra frente, de ponta cabeça, pulando as linhas, metendo os pés pelas mãos…

E rimando, porque não?, com as calças daquele rapaz parado bem ali.